por Paul Krugman*
Fonte: Folha / Diário Gauche
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Ativismo na Rede! "Nunca duvide que um pequeno grupo de pessoas conscientes e engajadas possa mudar o mundo; de fato, sempre foi somente assim que o mundo mudou." Margaret Mead
A obsessão por ‘austeridade econômica’ é querer apagar o incêndio com gasolina


CONSIDERANDO que o reconhecimento da dignidade inerente a todos os membros da familia humana e seus direitos iguais e inalienáveis é o fundamento da liberdade, da justiça e da paz no mundo,
CONSIDERANDO que o desprezo e o desrespeito pelos direitos humanos resultaram em atos bárbaros que ultrajaram a consciência da Humanidade, e que o advento de um mundo em que os seres humanos gozem de liberdade de palavra, de crença e da liberdade de viverem a salvo do temor e da necessidade,
CONSIDERANDO ser essencial que os direitos da mulher e do homem sejam protegidos pelo império da lei, para que a mulher e o homem não sejam compelidos, como último recurso, à rebelião contra a tirania e a opressão,
CONSIDERANDO ser essencial promover o desenvolvimento de relações amistosas entre as nações,
CONSIDERANDO que os povos das Nações Unidas reafirmaram, na Carta, sua fé nos direitos do homem e da mulher, e que decidiram promover o progresso social e melhores condições de vida em uma liberdade mais ampla,
CONSIDERANDO que os Estados Membros se comprometeram a promover, em cooperação com as Nações Unidas, o respeito universal aos direitos e liberdades fundamentais da mulher e do homem e a observância desses direitos e liberdades,
CONSIDERANDO que uma compreensão comum desses direitos e liberdades é da mais alta importância para o pleno cumprimento desse compromisso,
A Assembléia Geral das Nações Unidas proclama a presente "Declaração Universal dos Direitos Humanos" como o ideal comum a ser atingido por todos os povos e todas as nações, com o objetivo de que cada indivíduo e cada órgão da sociedade, tendo sempre em mente esta Declaração, se esforce, através do ensino e da educação, por promover o respeito a esses direitos e liberdades, e, pela adoção de medidas progressivas de caráter nacional e internacional, por assegurar o seu reconhecimento e a sua observância universais e efetivos, tanto entre os povos dos próprios Estados Membros, quanto entre os povos dos territórios sob sua jurisdição.
Artigo 1
Todos os seres humanos nascem livres e iguais em dignidade e direitos. São dotados de razão e consciência e devem agir em relação uns aos outros com espírito de fraternidade.
Artigo 2
I) Toda ser humano tem capacidade para gozar os direitos e as liberdades estabelecidos nesta Declaração sem distinção de qualquer espécie, seja de raça, cor, sexo, língua, religião, opinião política ou de outra natureza, origem nacional ou social, riqueza, nascimento, ou qualquer outra condição.
II) Não será também feita nenhuma distinção fundada na condição política, jurídica ou internacional do país ou território a que pertença uma pessoa, quer se trate de um território independente, sob tutela, sem governo próprio, quer sujeito a qualquer outra limitação de soberania.
Artigo 3
Todo ser humano tem direito à vida, à liberdade e à segurança pessoal.
Artigo 4
Ninguém será mantido em escravidão ou servidão; a escravidão e o tráfico de escravos estão proibidos em todas as suas formas.
Artigo 5
Ninguém será submetido a tortura, nem a tratamento ou castigo cruel, desumano ou degradante.
Artigo 6
Todo ser humano tem o direito de ser, em todos os lugares, reconhecido como pessoa perante a lei.
Artigo 7
Todos são iguais perante a lei e tem direito, sem qualquer distinção, a igual proteção da lei. Todos tem direito a igual proteção contra qualquer discriminação que viole a presente Declaração e contra qualquer incitamento a tal discriminação.
Artigo 8
Todo ser humano tem direito a receber dos tribunais nacionais competentes remédio efetivo para os atos que violem os direitos fundamentais que lhe sejam reconhecidos pela constituição ou pela lei.
Artigo 9
Ninguém será arbitrariamente preso, detido ou exilado.
Artigo 10
Todo ser humano tem direito, em plena igualdade, a uma justa e pública audiência por parte de um tribunal independente e imparcial, para decidir de seus direitos e deveres ou do fundamento de qualquer acusação criminal contra ele.
Artigo 11
I) Todo ser humano acusado de um ato delituoso tem o direito de ser presumido inocente até que a sua culpabilidade tenha sido provada de acordo com a lei, em julgamento público no qual lhe tenham sido asseguradas todas as garantias necessárias a sua defesa.
II) Ninguém poderá ser culpado por qualquer ação ou omissão que, no momento, não constituiam delito perante o direito nacional ou internacional. Também não será imposta pena mais forte do que aquela que, no momento da prática, era aplicável ao ato delituoso.
Artigo 12
Ninguém será sujeito a interferências na sua vida privada, na sua família, no seu lar ou na sua correspondência, nem a ataques a sua honra e reputação. Todo ser humano tem direito à proteção da lei contra tais interferências ou ataques.
Artigo 13
I) Todo ser humano tem direito à liberdade de locomoção e residência dentro das fronteiras de cada Estado.
II) Todo ser humano tem o direito de deixar qualquer país, inclusive o próprio, e a este regressar.
Artigo 14
I) Todo ser humano, vítima de perseguição, tem o direito de procurar e de gozar asilo em outros países.
II) Este direito não pode ser invocado em casos de perseguição legitimamente motivada por crimes de direito comum ou por atos contrários aos objetivos e princípios das Nações Unidas.
Artigo 15
I) Todo ser humano tem direito a uma nacionalidade.
II) Ninguém será arbitrariamente privado de sua nacionalidade, nem do direito de mudar de nacionalidade.
Artigo 16
I) Os homens e mulheres de maior idade, sem qualquer restrição de raça, nacionalidade ou religião, tem o direito de contrair matrimônio e fundar uma família. Gozam de iguais direitos em relação ao casamento, sua duração e sua dissolução.
II) O casamento não será válido senão com o livre e pleno consentimento dos nubentes.
III) A família é o núcleo natural e fundamental da sociedade e tem direito à proteção da sociedade e do Estado.
Artigo 17
I) Todo ser humano tem direito à propriedade, só ou em sociedade com outros.
II) Ninguém será arbitrariamente privado de sua propriedade.
Artigo 18
Todo ser humano tem direito à liberdade de pensamento, consciência e religião; este direito inclui a liberdade de mudar de religião ou crença e a liberdade de manifestar essa religião ou crença, pelo ensino, pela prática, pelo culto e pela observâcia, isolada ou coletivamente, em público ou em particular.
Artigo 19
Todo ser humano tem direito à liberdade de opinião e expressão; este direito inclui a liberdade de, sem interferências, ter opiniões e de procurar, receber e transmitir informações e idéias por quaisquer meios, independentemente de fronteiras.
Artigo 20
I) Todo ser humano tem direito à liberdade de reunião e associação pacíficas.
II) Ninguém pode ser obrigado a fazer parte de uma associação.
Artigo 21
I) Todo ser humano tem o direito de tomar parte no governo de seu país diretamente ou por intermédio de representantes livremente escolhidos.
II) Todo ser humano tem igual direito de acesso ao serviço público do seu país.
III) A vontade do povo será a base da autoridade do governo; esta vontade será expressa em eleições periódicas e legítimas, por sufrágio universal, por voto secreto ou processo equivalente que assegure a liberdade de voto.
Artigo 22
Todo ser humano, como membro da sociedade, tem direito à segurança social e à realização, pelo esforço nacional, pela cooperação internacional e de acordo com a organização e recursos de cada Estado, dos direitos econômicos, sociais e culturais indipensáveis à sua dignidade e ao livre desenvolvimento de sua personalidade.
Artigo 23
I) Todo ser humano tem direito ao trabalho, à livre escolha de emprego, a condições justas e favoráveis de trabalho e à proteção contra o desemprego.
II) Todo ser humano, sem qualquer distinção, tem direito a igual remuneração por igual trabalho.
III) Todo ser humano que trabalha tem direito a uma remuneração justa e satisfatória, que lhe assegure, assim como a sua família, uma existência compatível com a dignidade humana, e a que se acrescentarão, se necessário, outros meios de proteção social.
IV) Todo ser humano tem direito a organizar sindicatos e a neles ingressar para proteção de seus interesses.
Artigo 24
Todo ser humano tem direito a repouso e lazer, inclusive a limitação razoável das horas de trabalho e a férias remuneradas periódicas.
Artigo 25
I) Todo ser humano tem direito a um padrão de vida capaz de assegurar a si e a sua família saúde e bem estar, inclusive alimentação, vestuário, habitação, cuidados médicos e os serviços sociais indispensáveis, e direito à seguranca em caso de desemprego, doença, invalidez, viuvez, velhice ou outros casos de perda de meios de subsistência em circunstâncias fora de seu controle.
II) A maternidade e a infância tem direito a cuidados e assistência especiais. Todas as crianças, nascidas dentro ou fora do matrimônio, gozarão da mesma proteção social.
Artigo 26
I) Todo ser humano tem direito à instrução. A instrução será gratuita, pelo menos nos graus elementares e fundamentais. A instrução elementar será obrigatória. A instrução técnica profissional será acessível a todos, bem como a instrução superior, esta baseada no mérito.
II) A instrução será orientada no sentido do pleno desenvolvimento da personalidade humana e do fortalecimento do respeito pelos direitos do ser humano e pelas liberdades fundamentais. A instrução promoverá a compreensão, a tolerância e amizade entre todas as nações e grupos raciais ou religiosos, e coadjuvará as atividades das Nações Unidas em prol da manutenção da paz.
III) Os pais têm prioridade de direito na escolha do gênero de instrução que será ministrada a seus filhos.
Artigo 27
I) Todo ser humano tem o direito de participar livremente da vida cultural da comunidade, de fruir as artes e de participar do progresso científico e de fruir de seus benefícios.
II) Todo ser humano tem direito à proteção dos interesses morais e materiais decorrentes de qualquer produção científica, literária ou artística da qual seja autor.
Artigo 28
Todo ser humano tem direito a uma ordem social e internacional em que os direitos e liberdades estabelecidos na presente Declaração possam ser plenamente realizados.
Artigo 29
I) Todo ser humano tem deveres para com a comunidade, na qual o livre e pleno desenvolvimento de sua personalidade é possível.
II) No exercício de seus direitos e liberdades, todo ser humano estará sujeito apenas às limitações determinadas pela lei, exclusivamente com o fim de assegurar o devido reconhecimento e respeito dos direitos e liberdades de outrem e de satisfazer as justas exigências da moral, da ordem pública e do bem-estar de uma sociedade democrática.
III) Esses direitos e liberdades não podem, em hipótese alguma, ser exercidos contrariamente aos objetivos e princípios das Nações Unidas.
Artigo 30
Nenhuma disposição da presente Declaração pode ser interpretada como o reconhecimento a qualquer Estado, grupo ou pessoa, do direito de exercer qualquer atividade ou praticar qualquer ato destinado à destruição de quaisquer direitos e liberdades aqui estabelecidos.

por Boaventura de Sousa Santos*
Não ponho em causa que haja um futuro para as esquerdas mas o seu futuro não vai ser uma continuação linear do seu passado. Definir o que têm em comum equivale a responder à pergunta: o que é a esquerda? A esquerda é um conjunto de posições políticas que partilham o ideal de que os humanos têm todos o mesmo valor, e são o valor mais alto. Esse ideal é posto em causa sempre que há relações sociais de poder desigual, isto é, de dominação. Neste caso, alguns indivíduos ou grupos satisfazem algumas das suas necessidades, transformando outros indivíduos ou grupos em meios para os seus fins. O capitalismo não é a única fonte de dominação mas é uma fonte importante.
Os diferentes entendimentos deste ideal levaram a diferentes clivagens. As principais resultaram de respostas opostas às seguintes perguntas. Poderá o capitalismo ser reformado de modo a melhorar a sorte dos dominados, ou tal só é possível para além do capitalismo? A luta social deve ser conduzida por uma classe (a classe operária) ou por diferentes classes ou grupos sociais? Deve ser conduzida dentro das instituições democráticas ou fora delas? O Estado é, ele próprio, uma relação de dominação, ou pode ser mobilizado para combater as relações de dominação?
As respostas opostas as estas perguntas estiveram na origem de violentas
clivagens. Em nome da esquerda cometeram-se atrocidades contra a esquerda; mas, no seu conjunto, as esquerdas dominaram o século XX (apesar do nazismo, do fascismo e do colonialismo) e o mundo tornou-se mais livre e mais igual graças a elas. Este curto século de todas as esquerdas terminou com a queda do Muro de Berlim. Os últimos trinta anos foram, por um lado, uma gestão de ruínas e de inércias e, por outro, a emergência de novas lutas contra a dominação, com outros atores e linguagens que as esquerdas não puderam entender.
Entretanto, livre das esquerdas, o capitalismo voltou a mostrar a sua vocação anti-social. Voltou a ser urgente reconstruir as esquerdas para evitar a barbárie. Como recomeçar? Pela aceitação das seguintes ideias.
Primeiro, o mundo diversificou-se e a diversidade instalou-se no interior de cada país. A compreensão do mundo é muito mais ampla que a compreensão ocidental do mundo; não há internacionalismo sem interculturalismo.
Segundo, o capitalismo concebe a democracia como um instrumento de acumulação; se for preciso, ele a reduz à irrelevância e, se encontrar outro instrumento mais eficiente, dispensa-a (o caso da China). A defesa da democracia de alta intensidade é a grande bandeira das esquerdas.
Terceiro, o capitalismo é amoral e não entende o conceito de dignidade
humana; a defesa desta é uma luta contra o capitalismo e nunca com o capitalismo (no capitalismo, mesmo as esmolas só existem como relações públicas).
Quarto, a experiência do mundo mostra que há imensas realidades não capitalistas, guiadas pela reciprocidade e pelo cooperativismo, à espera de serem valorizadas como o futuro dentro do presente.
Quinto, o século passado revelou que a relação dos humanos com a natureza é uma relação de dominação contra a qual há que lutar; o crescimento económico não é infinito.
Sexto, a propriedade privada só é um bem social se for uma entre várias
formas de propriedade e se todas forem protegidas; há bens comuns
da humanidade (como a água e o ar).
Sétimo, o curto século das esquerdas foi suficiente para criar um espírito igualitário entre os humanos que sobressai em todos os inquéritos; este é um patrimônio das esquerdas que estas têm vindo a dilapidar.
Oitavo, o capitalismo precisa de outras formas de dominação para florescer,
do racismo ao sexismo e à guerra e todas devem ser combatidas.
Nono, o Estado é um animal estranho, meio anjo meio monstro, mas, sem ele, muitos outros monstros andariam à solta, insaciáveis à cata de anjos indefesos. Melhor Estado, sempre; menos Estado, nunca.
Com estas ideias, vão continuar a ser várias as esquerdas, mas já não é provável que se matem umas às outras e é possível que se unam para travar a barbárie que se aproxima.
Fonte: Carta Maior
A Enseada (The Cove) Legendado BR from Libertas on Vimeo.
Por Felipe Goulart
The Cove é um daqueles documentários que podem mudar o mundo (ou ao menos parte dele). Pode e deve. Ele tem tudo para ser o assunto dos próximos meses e ficar tão conhecido como um daqueles docs de Michael Moore ou o vencedor do Oscar, Uma Verdade Inconveniente, do Al Gore, só para citar alguns exemplos mais recentes.
A tradução para o título é “A Enseada” (por enquanto, o filme ainda não tem título em português nem data para estrear nos cinemas). Essa enseada fica na baía de Taiji, no Japão, uma cidade que, à primeira vista, parece glorificar os golfinhos e baleias, com diversos monumentos, passeios turísticos e museus. Mas é tudo pega-trouxa para Ocidental. Taiji é o local onde há a maior matança de golfinhos na atualidade – e tudo é financiado pelo principal museu de lá.
Por ano, em todo o Japão, são mortos mais de 23 mil golfinhos. Outros tantos são mantidos vivos e vão parar em aquários de todo mundo, ao custo de 150 mil dólares cada.
Quem alerta para esses absurdos é Richard O’Barry, que ficou conhecido nos anos 60 como o treinador do Flipper. Ric hoje se sente um pouco responsável pelo destino dos golfinhos. Ele acha que é por influência do seriado Flipper que há hoje essa exploração de golfinhos em cativeiro. Segundo Ric, quando a série estreou na TV americana, eram apenas três os aquários com golfinhos. Hoje, existe uma indústria bilionária.
A grande luta dos realizadores desse documentário é que a IWC – International Whaling Commission, comissão reconhecida pela ONU para proteção e preservação das baleias, inclua também os golfinhos. Mesmo eles sendo pequenos cetáceos, ou seja, mini-baleias, inexplicavelmente não são incluídos nesse programa de proteção.
Para contar essa história, o diretor do documentário Louie Psihoyos, fotógrafo da National Geographic e que também é cofundador da Oceanic Preservation Society, precisava das imagens desse constante massacre, que acontece todo ano na enseada de Taiji.
Mas até hoje, ninguém tinha conseguido filmar nem fotografar nada. Além de ter uma posição geográfica que favorece a carnificina e dificulta que se façam imagens, a comunidade local barra todos aqueles que querem atrapalhar o trabalho deles. São cercas, seguranças e um monte de cara chato que impedem a proximidade de qualquer forasteiro.
É aí que começa a “aventura”. Para documentar a matança, o diretor Psihoyos montou uma equipe tipo Onze Homens e um Segredo, com diversos especialistas, entre eles dois dos melhores mergulhadores do mundo, um praticante de esportes radicais que trabalhou em Piratas do Caribe e um perito da Industrial Light and Magic que, junto de sua equipe, cria diversas pedras artificiais (ocas), onde são escondidas todo tipo de câmera.
Além das pedras, foram usados hidrofones, ninhos de passarinho cenográficos, um pequeno balão e um helicóptero de controle remoto para as imagens aéreas.
Nos minutos finais, apenas o som ambiente. Não precisa de narrador, legenda, nenhum tipo de informação. As imagens dizem tudo. E chocam.
E eu espero, sinceramente, que esse documentário mude o mundo. Ou ao menos, parte dele.
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Links sobre Direitos Sexuais e Reprodutivos das Mulheres, Feminismo e afins
Anis – Instituto de Bioética, Direitos Humanos e Gênero – www.anis.org.br
Argentina- Campaña Nacional por el Derecho al Aborto Legal, Seguro y Gratuito – http://www.derechoalaborto.com.ar/
Articulação de Mulheres Brasileiras http://www.articulacaodemulheres.org.br/
Blogueiras Feministas - http://blogueirasfeministas.com/
Campanha “Criminalizar o Aborto Resolve? Vai Pensando Ai” – http://www.vaipensandoai.com.br
Campaña 28 de Septiembre – Día por la Despenalización del Aborto en América Latina y el Caribe 2010 http://www.publicitypruebas.com/28septiembre/
Católicas pelo Direito de Decidir – Brasil – www.catolicasonline.org.br
CCR – Comissão de Cidadania e Reprodução – www.ccr.org.br
CEPIA – http://www.cepia.org.br/
Contra o estatuto do nascituro – http://contraoestatutodonascituro.wordpress.com/
Cunhã Feminista- http://cunhanfeminista.tumblr.com/
Cfemea – Centro Feminista de Estudos e Assessoria – www.cfemea.org.br
CLADEM – Comitê Latino-americano e do Caribe para a Defesa dos Direitos da Mulher – http://www.cladem.org/
EU DECIDO BLOG – http://www.eudecido.wordpress.com/
Ipas Brasil – http://www.ipas.org.br
Instituto Antigona – http://www.antigona.org.br/portugues.html
Instituto Patrícia Galvão – http://www.patriciagalvao.org.br/
Febrasgo – Federação Brasileira das Sociedades de Ginecologia e Obstetrícia – www.febrasgo.com.br
Frente Nacional Contra a Criminalização de Mulheres e pela Legalização o Aborto – SP – www.frentelegalizacaoaborto.wordpress.com
Geledés – Instituto da Mulher Negra – www.geledes.org.br
Grupo Curumim – http://www.grupocurumim.org.br
Grupo Transas do Corpo – http://www.transasdocorpo.org.br/
Jornadas pelo Direito ao Aborto Legal e Seguro – http://jornadaspeloabortolegal.wordpress.com/
Laicismo – Europa Laica – http://www.laicismo.org
Loucas de Pedra Lilás – http://www.loucas.org.br
Marcha Mundial das Mulheres – www.sof.org.br/marcha
Projeto Maria da Penha - Projeto AME (Associação de Mulheres Empreendedoras) – http://www.mariadapenha.org.br/
Quem o Machismo Matou Hoje? - http://machismomata.wordpress.com/
Rede Feminista de Saúde – http://www.redesaude.org.br/
SECRETARIA ESPECIAL DE POLÍTICAS DAS MULHERES (SPM) -
http://www.presidencia.gov.br/estrutura_presidencia/sepm/
SOF – Sempreviva Organização Feminista – www.sof.org.br
SOS CORPO – Instituto Feminista para a Democracia – www.soscorpo.org.br
Themis – Assessoria Jurídica e Estudos de Gênero – www.themis.org.br
União Brasileira de Mulheres – www.ubmulheres.org.br
UNIFEM – http://www.pnud.org.br/home/













A revista CartaCapital colocou no ar – clique aqui para ler – o dossiê com todas as reportagens que publicou sobre o passador de bola apanhado no ato de passar bola, Daniel Dantas.
É uma contribuição, diz a Carta, ao “jornalismo investigativo”.
São as reportagens que a Carta publicou (95) até 2008.
A filha do Zé Serra está lá dentro.
O PSDB também.
O Fernando Henrique idem, com batatas.
Já que o PiG (*), especialmente a Folha (**), gosta tanto de dossiê, a CartaCapital dá desinteressada contribuição.
PARTE 1: http://www.cartacapital.com.br/politica/o-acervo-de-cartacapital-sobre-daniel-dantas-e-o-caso-opportunity
Ontem, foi sancionado pelo presidente o Estatuto do Torcedor, medida legal que visa moralizar a relação dos torcedores nos estádios de futebol no Brasil.
OK, mas e o resto? E a cartolagem dos clubes, e a CBF, e os "empresários" da bola [a ambiguidade da expressão é proposital], continuarão nas sombras da legalidade manipulando o business do futebol, que já foi o mais bonito e criativo do mundo?
Aliás, cabe a pergunta: a Receita Federal controla os fluxos de moeda que circulam nos ambientes esportivos brasucas?
foto: Celso Junior/AE
fonte: Diário Gauche
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O ghee é a gordura derivada do leite, após total remoção de suas partes sólidas e da água. É a essência do leite, sua parte mais secreta.
Além de saboroso acompanhamento de pães e biscoitos, o GHEE é um excelente óleo de cozinha, sendo indicado como um substituto saudável da manteiga e dos óleos.
O GHEE apresenta ligações químicas estáveis entre suas moléculas, o que torna difícil a oxidação e a formação de radicais livres. Além disso, é uma das gorduras que apresenta maior smoke point: 252 C, ou seja, pode ser aquecido a temperaturas normais de cozimento sem alterar suas propriedades.
Na índia, o ghee é um produto de uso cotidiano, considerado sagrado e celebrado como símbolo de auspiciosidade, nutrição e cura. É a gordura base da culinária indiana e importante remédio na medicina ayurvédica.
De acordo com a medicina ayurvédica, o GHEE aumenta a inteligência, refina o intelecto e melhora a memória. Produz Ojas, que é a base da imunidade e a essência de todos os tecidos do corpo, atuando na renovação física e mental. Nessa tradição, o GHEE é utilizado em diversas formulações medicinais e como óleo para massagem; equilibra os doshas (biotipos) vata e pitta.
Para os praticantes de yoga é um lubrificante natural, ajudando na flexibilidade para a prática das ásanas.
O GHEE é queimado nos templos e pujas (rituais) por toda a Índia. Diz-se que “a luz de uma chama de ghee afasta toda a negatividade”.
Muitas outras culturas pelo mundo utilizam um produto similar ao ghee. No Brasil, ele pode ser comparado à manteiga de garrafa, um preparado comum no nordeste. Culinária francesa é a Beurre noisette, a manteiga clarificada.
O ghee é essencialmente uma gordura saturada. Mas gordura saturada faz bem á saúde?
Hoje, sabe-se da grande importância de ingerir gorduras de qualidade, pois elas são facilitadoras da absorção de nutrientes pelo nosso organismo além de conter altos teores de vitaminas, ácidos graxos essenciais, elementos minerais e fito esteróis.
Os ácidos graxos ou gorduras podem ser estudadas em duas categorias principais: saturadas e insaturadas - mas é importante ressaltar que não existe na natureza uma gordura 100% saturada ou insaturada. Gorduras saturadas podem ser divididas em ácidos graxos de cadeia longa e ácidos graxos de cadeia curta. Os de cadeia longa - principalmente as gorduras animais, não conseguem ser digeridas e metabolizadas integralmente pelo organismo humano e por esta razão podem causar doenças como o câncer além de formar depósitos na corrente sanguínea. Já os ácidos graxos saturados de cadeia curta são mais facilmente digeridos e metabolizados pelo corpo humano, tornando-se combustível para desempenhar todas funções que precisam de energia. As gorduras insaturadas podem dividias em monoinsaturada e poliinsaturada.
As monoinsaturadas são aquelas gorduras que buscamos ingerir como alimento funcional como o óleo de linhaça, oliva, gergelim, castanha etc. Estas são as gorduras insaturadas saudáveis, geralmente muito sensíveis ao aquecimento e por isso recomenda-se que seja acrescentada aos alimentos após o cozimento (não servem para refogar por exemplo). As gorduras poliinsaturadas são as gorduras que facilmente se oxidam, produzindo radicais livres - moléculas altamente reativas que agridem e danificam as células saudáveis do corpo humano causando morte celular e consequentemente doenças e envelhecimento precoce.
O ghee é essencialmente composto por ácidos graxos de cadeia curta sendo a maioria de suas gorduras saturadas, que são facilmente digeríveis. A taxa de absorção do ghee é de 96%, a mais alta de todos os óleos e gorduras. Embora seja um subproduto da manteiga rico em ácidos graxos, pesquisas indicam que ghee não eleva os níveis de colesterol, mas deve-se usar o bom senso na hora de consumi-lo como se faz com qualquer alimento.

Fonte: Yamunahara
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Acesse os sites de diversas organizações, redes e associações da sociedade civil que se dedicam à defesa dos direitos das mulheres e ao respeito aos princípios da diversidade, algumas delas com foco específico em questões que impactam as mulheres de forma diferenciada, como o direito ao aborto, a violência doméstica, o acesso a cargos de poder e decisão, a representação feminina na mídia e o controle social dos meios de comunicação, entre outras.
Agende – Ações em Gênero, Cidadania e Desenvolvimento (Brasília/DF)
AMB – Articulação de Mulheres Brasileiras (Recife/PE)
Andi – Agência de Notícias dos Direitos da Infância (Brasília/DF)
Anis – Instituto de Bioética, Direitos Humanos e Gênero (Brasília/DF)
Apavv - Associação de Parentes e Amigos de Vítimas de Violência (Fortaleza/CE)
Articulação Mulher e Mídia (SP/SP)
Campanha do Laço Branco (Pernambuco/PE)
Católicas pelo Direito de Decidir – Brasil (SP/SP)
Coletivo Leila Diniz (Natal/RN)
CCR – Comissão de Cidadania e Reprodução (SP/SP)
Centro das Mulheres do Cabo (Cabo de Santo Agostinho/PE)
Ceert – Centro de Estudos das Relações de Trabalho e Desigualdades (SP/SP)
Cemina – Comunicação, Educação e Informação em Gênero (RJ/RJ)
Cepia – Cidadania, Estudo, Pesquisa, Informação e Ação (RJ/RJ)
Cfemea – Centro Feminista de Estudos e Assessoria (Brasília/DF)
Chame – Centro Humanitário de Apoio à Mulher (Salvador/BA)
Cladem Brasil - Comitê Latino-Americano e do Caribe para a Defesa dos Direitos da Mulher (SP/SP)
Conar – Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária (SP/SP)
Corsa - Cidadania, Orgulho, Respeito, Solidariedade, Amor (SP/SP)
Cunhã Coletivo Feminista (João Pessoa/PB)
Ecos – Comunicação em Sexualidade (SP/SP)
Febrasgo - Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (SP/SP)
Grupo Transas do Corpo (Goiânia/GO)
Idec – Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (SP/SP)
Instituto Noos de Pesquisas Sistêmicas e Desenvolvimento de Redes Sociais (RJ/RJ)
Instituto Papai (Recife/PE)
Instituto Promundo (RJ/RJ)
Intervozes – Coletivo Brasil de Comunicação Social (SP/SP)
Ipas Brasil (RJ/RJ)
IPPF – International Planned Parenthood Federation (em inglês)
IWHC – International Women's Health Coalition (inglês)
Liga Brasileira de Lésbicas (SP/SP)
Loucas de Pedra Lilás (Recife/PE)
Maria Mulher - Organização de Mulheres Negras (Porto Alegre/RS)
Marcha Mundial de Mulheres (SP/SP)
Núcleo de Juventude - Redeh / Cemina (RJ/RJ)
Hip Hop Mandando Fechado em Saúde e Sexualidade (RJ/RJ)
Hip Hop Pela Não-Violência Contra a Mulher (RJ/RJ)
Observatório do Direito à Comunicação (SP/SP)
Observatório da Imprensa (SP/SP)
Observatório da Infância (RJ/RJ)
Observatório da Mulher (SP/SP)
Observatório de Sexualidade e Política (Sexuality Policy Watch) (RJ/RJ)
Promotoras Legais Populares (SP/SP)
Rede Brasileira de Promoção de Informações e Disponibilização da Contracepção de Emergência
Redeh – Rede de Desenvolvimento Humano (RJ/RJ)
Rede Mulher de Educação (SP/SP)
Rede Nacional Feminista de Saúde, Direitos Sexuais e Direitos Reprodutivos (Porto Alegre/RS)
Rhamas – Redes Humanizadas de Atendimento às Mulheres Agredidas Sexualmente
Ser Mulher – Centro de Estudos e Ação da Mulher Urbana e Rural (Nova Friburgo/RJ)
SMM - Serviço à Mulher Marginalizada (SP/SP)
SOS Corpo – Instituto Feminista para a Democracia (Recife/PE)
Themis – Assessoria Jurídica e Estudos de Gênero (Porto Alegre/RS)
União de Mulheres de São Paulo (SP/SP)

2005, Editora Record
resenhado por Ernesto friedman
Magnífico! Um livro essencial. Depois de ganhar o prêmio Pulitzer com seu famoso livro ““Armas, Germes e Aço””, Jared Diamond nos traz “Colapso”, antológico trabalho sobre a evolução das sociedades. Ele analisa com detalhe e elegância, porque elas sucumbem e porque são bem sucedidas. O livro é um curso intensivo para nos atualizarmos sobre as dificuldades do relacionamento da humanidade com a natureza. E está na hora de se informar sobre o assunto. O meio-ambiente está na pauta do dia. Diamond fornece a justa dimensão dos problemas do desmatamento, da poluição industrial, do crescimento da população. Não é pouca coisa. Ao longo da existência do homem na Terra, populações inteiras tiveram oportunidade de sobreviver e escolheram o caminho da extinção. Diamond não esquece de nos mostrar casos positivos, em que, apesar de limitações naturais fortes, comunidades conseguem sobreviver.
Diamond aplica seu modelo de análise a grande número de civilizações da história. Mostra-nos com inteligência as trajetórias dessas civilizações até a falência. Ele nos apresenta a fantástica trajetória da Ilha da Páscoa, cujos habitantes originais chegaram até a ilha num barco, vindo da Polinésia. A população se desenvolveu, chegando a 5000 pessoas, e viveu isolada ali por 500 anos. O desleixo com o meio-ambiente e a falta de ações de seus líderes levaram esta sociedade à pura e simples extinção. Quando os navegantes portugueses chegaram à ilha, só havia grandes estátuas de pedra. Erich Von Däniken, um charlatão famoso nos anos 70, explicou de maneira bizarra o desaparecimento dos habitantes da Ilha da Páscoa e os enormes monumentos que eles construíram: seres do espaço teriam vindo à Terra, ensinaram aos habitantes a construir os monumentos e foram embora. Simples, não é? Diamond nos mostra os erros que conduziram ao desaparecimento da gente da ilha. A derrubada das florestas destruiu a capacidade dos habitantes da Ilha da Páscoa de sobreviverem. A história é trágica e passa por um final onde até o canibalismo é usado como meio para sobreviver. Por outro lado, encontramos uma ilha com duas milhas de diâmetro, no Pacífico, em que a população percebe suas dificuldades e desenvolve mecanismos para produzir o sustento e tornar viável a vida na ilha. Ou seja, há salvação.
Colapso é um abrangente curso de história focado nas características dos povos, as vantagens que tinham para sobreviver e os defeitos que os levariam a morte. Maias, vikings, esquimós, japoneses, chineses, australianos e muitos outros têm sua história contada ou seu presente analisado pelo modelo de estudo de Diamond. Você sabia que o Japão, que sempre associamos a uma congestionada Tóquio, tem 78% de seu território reflorestado. Tudo acontece por que a dinastia Tokugawa, no século XVII, percebeu que as florestas da ilha estavam desaparecendo e atuou para resolver o problema. Ao mesmo tempo, o miserável Haiti, onde a população ainda vive de frágil agricultura familiar, só dispõe de 1% de seu território com florestas. Os exemplos se sucedem e os problemas decorrentes são minuciosamente analisados. A abordagem segura de Diamond nos mostra que preocupação com meio-ambiente não é frescura. Não é livro fácil. Para muitos, nestes tempos de simplificações e resumos, será intragável. Para outros, será um divisor de águas, será a descoberta de uma nova maneira de ver o mundo e a história. Pode ser o livro que vai nortear a vida profissional de um leitor.
O estilo de Jared Diamond me lembra Stephen Jay Gould, que escrevia sobre história natural. São escritores que têm o dom de criar uma estrutura de conhecimento que abre novas portas para o leitor que os encontra. A abordagem de Diamond nos traz uma nova visão sobre problemas sociais contemporâneos. Sua análise do extermínio de Tutsis pelos Hutus, na África, é um exemplar magnífico de explicações simples não são boas receitas para tratar a história. A alta densidade demográfica e a escassez de recursos decorrentes da exploração desenfreada do meio-ambiente aparecem como fatores que não podem ser desacreditados na justificativa do extermínio de cerca de 10% de uma população. A visão malthusiana buscada por Diamond, nos traz novas possibilidades de análise de problemas que superficialmente podem ser descritos como decorrentes de baixo índice de educação ou puro racismo. O motivo não foi apenas o ódio dos Hutus pelos Tutsi. Diamond aponta que em certas regiões, onde só havia Hutus, o extermínio chegou a 5% da população. Havia outras causas.
A visão míope do governo americano do presidente Bush se torna mais crítica depois de lermos Colapso. A recusa da rica civilização americana em enfrentar o problema do meio-ambiente pode ser o prenúncio do final da civilização no planeta? A poluição em larga escala da China será o limitante do mega crescimento dessa economia? No quadro mundial, com as queimadas da Amazônia, o Brasil aparece mal na foto. O livro de Diamond nos mostra o quanto críticas são as ações demandadas para tratar esses problemas.
Um pensamento leva a outro. Vendo o que os desequilíbrios podem fazer com as civilizações, pensei aqui com meus botões. Imaginem uma cidade como o Rio de Janeiro. Aqui, as mães ricas (renda maior que 10 salários mínimos) têm em média apenas um filho. Já as mulheres pobres (renda na faixa de 1 salário mínimo) têm mais de 5 filhos. A população cresce com maior número de crianças miseráveis, sem instrução e sem opções na vida. A massa de ignorantes vai crescer se tornando a grande maioria. A população jovem será manipulada por traficantes de drogas, traficantes de deuses (franquias de religiões) e traficantes de cidadania (políticos corruptos manipulando promessas sociais que não serão cumpridas). Por uma bolsa família, os governantes se perpetuarão no poder, agravando os defeitos de uma sociedade que perde a oportunidade de aproveitar seus potenciais. O desequilíbrio criado pode ser o causador de uma guerra civil. Em tempo: a Vila Cruzeiro está sitiada há mais de 40 dias e os traficantes não parecem dispostos a ceder. A guerra civil Carioca vai reduzir a capacidade produtiva da cidade e do estado do Rio. A indústria migrará para outros estados ou paises, aumentando o desemprego. A falta de turistas afugentados pela rotina de crimes diminuirá a oferta de empregos em serviços. A “taxa diária de balas perdidas atingindo pessoas” maior que um caso por dia, não é grande atrativo para chamar um viajante ao Rio. O desemprego contribuirá para o aumento do crime organizado ou não. O ciclo de piora acelerará a decadência da cidade. Este exercício é pura paranóia ou apenas a previsão óbvia de nosso futuro? A falência anunciada do Rio de Janeiro pode ser um bom caso de colapso para ser estudado no futuro pelos discípulos de Diamond.


"A informação que temos não é a que desejamos. A informação que desejamos não é a que precisamos. A informação que precisamos não está disponível”
john peers
Estranhem o que não for estranho.
Tomem por inexplicável o habitual.
Sintam-se perplexos ante o cotidiano.
Tratem de achar um remédio para o abuso
Mas não se esqueçam de que o abuso é sempre a regra.



A direita vem aí, faminta. Não vai sobrar nem as migalhas
por Luiz Carlos Azenha
Ninguém é "de direita" no Brasil. Ninguém assume ser de direita. Mas ela existe, se esconde sob diversos disfarces e representa uma aliança entre grandes interesses econômicos internacionais e grandes interesses econômicos nacionais subordinados àqueles. O tal pacto de elites. Elas fazem concessões pontuais para preservar o essencial: o controle da terra, do subsolo e dos recursos naturais.
O presidente Lula não representou um rompimento com isso. Ele costurou alianças em direção ao centro para garantir a "governabilidade". Hoje o agronegócio manda na agricultura e no meio ambiente, os banqueiros controlam o Banco Central e os recursos naturais do Brasil estão entregues a interesses privados -- da Vale do Rio Doce aos parceiros estrangeiros da Petrobras.
Num quadro de escassez, expresso na crise econômica internacional, a disputa pelo controle dos recursos -- e de como gastá-los -- deve se acirrar em todo o mundo. No Brasil não é diferente. Essa disputa passa pelas eleições de 2010.
Lula, no poder, se comportou como um sindicalista pragmático. Preferiu os acordos de bastidores às ruas. Não trabalhou para estimular, organizar ou vitaminar movimentos políticos de sustentação às propostas de seu governo. Não trabalhou para aprofundar a democracia, isto é, para engajar politicamente os que ascenderam economicamente graças às políticas sociais de seu governo. O que explica a vitória de Gilberto Kassab em bolsões de classe média baixa em São Paulo: eleitores beneficiados por programas do governo federal, despolitizados, gravitaram para o candidato com o melhor marketing televisivo.
Já contei aqui sobre o comício final de Marta Suplicy, que teve a presença de Lula: um belíssimo cenário para gravar a propaganda mas nenhuma vibração popular. Vitória completa da forma sobre o conteúdo, do marketing sobre a política.
Agora, às vésperas de 2010, Lula costura de novo para o centro. O governador José Serra faz o mesmo. Serra limou Yeda Crucius de sua coalizão. A Veja já fez duas reportagens seguidas prevendo a hecatombe da tucana gaúcha. O PSDB já deve ter fechado acordo com José Fogaça, do PMDB, para apoiá-lo como candidato a governador em 2012, em troca de apoio no ano que vem.
Os aliados conservadores de Lula são José Sarney e Michel Temer, o que explica o furor midiático em relação à "farra das passagens". Se ambos fossem aliados de Serra o Congresso não estaria "em crise", nem mereceria tamanha cobertura do eixo midiático Veja-Globo-Folha.
A Folha Online anuncia um acordo entre Serra e o governador de Minas Gerais, Aécio Neves, pelo qual este seria vice na chapa tucana. Com isso o governador paulista reduz ainda mais a margem de manobra de Lula no PMDB e deixa o presidente da República no colo do trio Sarney-Temer-Renan.
Os acordos acima citados reforçam a posição de Serra no Sul e no Sudeste. Mais ainda se considerarmos que a crise econômica internacional está longe de acabar, que teremos um crescimento interno reduzido este ano e apenas razoável em 2010.
Em entrevista à CartaCapital, Dilma Rousseff disse: "A eleição do Lula, do Evo, da Michelle, da Cristina, do Hugo Chávez, marcam um processo de democratização muito comprometido com os povos dos paises nos quais ocorre".
A diferença é que, no Brasil, o "processo de democratização" foi superficial, não-orgânico e, hoje, depende da sobrevivência política do símbolo dele, Lula. Diante do quadro que descrevi, fiquem de olho: devem aumentar os pedidos para um terceiro mandato ou para que o presidente saia de vice na chapa de Dilma Rousseff.
Quantos bilhões de dólares vale o pré-sal? Quantos bilhões de dólares valem os minérios no subsolo brasileiro? A direita, que nunca chegou a perder o controle da riqueza, vem aí faminta por privatizar cada centavo desses bens públicos, para tomar de volta mesmo as migalhas que Lula distribuiu.
Fonte: Vi o Mundo
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“Eu às vezes fico pensando em como seria se os brasileiros falassem. Se protestassem contra o que lhes fazem, se fizessem discursos indignados em todas as filas de matadouro, se cobrassem com veemência uma participação em tudo o que produzem para enriquecer os outros, reagissem a todas as mentiras que lhes dizem, reclamassem tudo que lhes foi negado e sonegado e se negassem a continuar sendo devorados, rotineiramente, em silêncio. Não é da sua natureza, eu sei, só estou especulando. Ainda seriam dominados por quem domina a linguagem e, além de tudo, sabe que fala mais alto o que nem boca tem, o dinheiro. Mas pelo menos não os comeriam com a mesma empáfia”.
Luis Fernando Veríssimo, O Mundo Bárbaro.


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